QUEM MATOU ROLAND BARTHES?
Segunda feira, 05 de Junho 2017
QUEM MATOU ROLAND BARTHES?
Texto de ISABEL LUCAS 1 de Maio de 2017, in Público.
Fonte da imagem: https://www.submarino.com.br/produto/129143723/livro-quem-matou-roland-barthes-
Myranda Maria
QUEM MATOU ROLAND BARTHES?
A minha proposta de literatura vai para um livro que é um excelente romance policial, que por acaso ainda não li, mas já dei uma espreitadela e aguçou-me o interesse de o ler. Do escritor francês Laurent Binet.
Este livro transporta-nos para Paris 1972. Este escritor foi vencedor do Prémio Gongourt em 2010, com HHhH ( Sextante).
"Binet explica a ideia de utilidade que trabalhou ao detalhe". “Quis mostrar que saber usar a linguagem é muito útil, partindo de estudos abstractos, como a Semiótica ou a Retórica. A Semiótica é útil para entender o mundo e a Retórica é útil para lidar com ele, para conquistar poder, por exemplo, uma arma poderosa.”
"Tudo se desenvolve com a agilidade de um policial, os acontecimentos a sucederam-se encadeados e surpreendentes, ao mesmo tempo que o narrador se demora na descrição de pormenores da vida quotidiana ou interior das personagens. E várias funções se cruzam, conferindo densidade a um livro que é o também o retrato do fim de uma era e uma reflexão social, política, intelectual da linguagem e do modo como a comunicação se estabelece entre as pessoas a vários níveis. “Há intérpretes por toda a parte. Cada qual fala a sua língua, mesmo que conheça um pouco a língua do outro. Os estratagemas do intérprete têm um campo muito vasto, e ele não descura os seus interesses”, lê-se na epígrafe que Binet foi buscar a Jacques Derrida, o filósofo desconstrucionista que entre outras áreas se dedicou ao estudo da teoria da linguagem."
"E se todos, incluindo jornalistas (diz Binet), se parecem fixar em detalhes como o episódio em que Foucault, na sauna, conversa com o detective enquanto um prostituto “se afadiga entre as suas pernas”, os momentos-chave do livro, aqueles em que Binet consegue demonstrar (sem exibir) o seu domínio da linguagem, do lirismo, do ritmo, são como aquele em que descreve a hora da morte de Barthes, um homem perante o que foi, em toda a sua tristeza e toda a sua frustração e na sua incapacidade de comunicar."
Fonte da imagem: https://www.submarino.com.br/produto/129143723/livro-quem-matou-roland-barthes-
Myranda Maria

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